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Economia· 5 min de leitura

Espanha cresce o dobro da União Europeia, mas a renda não acompanha

A economia espanhola cresce 2,4 por cento em 2026 pela projeção da Comissão Europeia, mais que o dobro da média europeia de 1,1 por cento. Outras casas projetam 2,1 por cento e a renda por habitante sobe bem mais devagar.

Espanha cresce o dobro da União Europeia, mas a renda não acompanha
Foto: Jorge Fernández Salas no Unsplash

O essencial em resumo

  • A Espanha cresce 2,4 por cento em 2026 pela projeção da Comissão Europeia, mais que o dobro da média europeia de 1,1 por cento.
  • O Fundo Monetário Internacional atribui boa parte da expansão à retenção de mão de obra, o que segura a renda por habitante.
  • O turismo deve render cerca de 121 bilhões de euros em 2026, e o setor inteiro contribui com aproximadamente 257 bilhões de euros, ou 15,5 por cento do produto interno bruto.

A economia espanhola cresce 2,4 por cento em 2026 pela projeção da Comissão Europeia, mais que o dobro da média europeia de 1,1 por cento. Outras casas projetam algo em torno de 2,1 por cento. Ao mesmo tempo, o Fundo Monetário Internacional lembra que a renda por habitante sobe bem mais devagar.

Para 2027 a Comissão espera 1,9 por cento, com média europeia de 1,4 por cento. A Espanha fica assim bem à frente de Alemanha, França e Itália.

A imigração sustenta boa parte do crescimento

Em 1º de abril de 2026 viviam na Espanha 49,7 milhões de pessoas. A imigração líquida vem sobretudo da América Latina e do Marrocos e amplia a população ocupada.

Isso é decisivo para a estatística de crescimento. Com mais pessoas trabalhando, o produto total sobe mesmo que a produção de cada um não mude. Para o bem estar, o que conta é a produção por habitante.

Outros motores são o consumo das famílias, apoiado pelos novos empregos, e o setor de serviços além do turismo. São citados os serviços profissionais e os serviços financeiros e de tecnologia.

Fundo Monetário aponta mão de obra retida

Um relatório do Fundo Monetário Internacional de abril de 2026 traz a avaliação mais crítica. Segundo o texto, grande parte da expansão depois da pandemia veio de empresas que seguraram seus funcionários, o que deixou os ganhos de renda por habitante mais modestos.

As empresas mantêm o quadro mesmo quando a ocupação cai, por medo de não recontratar essas pessoas depois. Do ponto de vista macroeconômico, isso significa mais gente trabalhando sem aumento equivalente da produção.

O departamento de estudos do banco espanhol BBVA chega a conclusão parecida e alerta para o baixo avanço da produtividade do trabalho diante de custos salariais em alta.

Turismo chega a 121 bilhões de euros

Para 2026 são esperadas receitas de turismo de 121 bilhões de euros, alta de 5,3 por cento. O setor de viagens e turismo como um todo contribui, segundo cálculos do World Travel and Tourism Council, com cerca de 257 bilhões de euros para o produto interno bruto, um crescimento de 3,7 por cento e uma fatia de 15,5 por cento.

Para 2036 projeta se uma contribuição acima de 310 bilhões de euros, o que corresponderia a cerca de 16,6 por cento. A fatia sobe portanto pouco mais de um ponto percentual em dez anos. A ideia de uma Espanha cada vez mais dependente do turismo não se sustenta nesses termos.

O maior desemprego da União Europeia

A Espanha ainda tem a maior taxa de desemprego da União Europeia, embora ela tenha chegado a cair pela metade desde o recorde de 2013. O desemprego entre os jovens é especialmente alto e alimenta a saída de jovens bem qualificados do país.

Esse indicador combina mal com o diagnóstico da mão de obra retida. Os dois ao mesmo tempo significam que uma parte da economia segura pessoal enquanto outra parte não encontra trabalho.

As empresas alemãs no país avaliam sua situação majoritariamente como positiva. Pelo barômetro de primavera da Câmara de Comércio Alemã, de maio de 2026, 92 por cento das associadas consultadas classificaram sua situação de negócios como boa ou satisfatória, mas olham o futuro com mais cautela.

A Espanha superou a Bélgica e entrou no grupo dos dez principais mercados de exportação da Alemanha. Nos três primeiros meses de 2026 as exportações alemãs para lá somaram 15,6 bilhões de euros. Em paralelo, cresce a presença de fabricantes e fornecedores chineses no setor automotivo espanhol.

Perguntas frequentes

Quanto a economia espanhola cresce em 2026

A Comissão Europeia projeta para a Espanha um crescimento de 2,4 por cento em 2026, contra uma média europeia de 1,1 por cento. Outras casas trabalham com algo em torno de 2,1 por cento. Para 2027 a Comissão projeta 1,9 por cento, com média europeia de 1,4 por cento.

Por que a renda sobe menos que o produto interno bruto

Parte relevante do crescimento espanhol vem da imigração, que amplia a população ocupada. Em 1º de abril de 2026 viviam na Espanha 49,7 milhões de pessoas. Mais gente trabalhando eleva o produto total, ainda que a produção por habitante quase não avance.

O que o Fundo Monetário chama de mão de obra retida

No relatório de abril de 2026 o Fundo Monetário Internacional descreve empresas que seguraram funcionários depois da pandemia, mesmo com queda de ocupação, com receio de não recontratar essas pessoas depois. Em termos macroeconômicos, mais gente trabalha sem aumento equivalente da produção. O departamento de estudos do BBVA alerta pelo mesmo motivo para produtividade fraca com custos salariais em alta.

Qual o peso do turismo na economia espanhola

Para 2026 são esperadas receitas de turismo de 121 bilhões de euros, alta de 5,3 por cento. O setor de viagens e turismo como um todo contribui com cerca de 257 bilhões de euros, ou 15,5 por cento do produto interno bruto, segundo o World Travel and Tourism Council. Até 2036 a fatia deve chegar a cerca de 16,6 por cento, pouco mais de um ponto percentual acima em dez anos.

Esta análise tem caráter apenas informativo e não é recomendação de investimento.

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